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As Forças Armadas da Venezuela reconheceram, neste domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país após a prisão de Nicolás Maduro no último sábado.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, realizou um comunicado televisionado que endossou a decisão do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela que determina que Rodríguez assuma o poder por 90 dias.
Ainda no sábado, o tribunal havia ordenado que a vice assumisse “a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação“.
A decisão acrescentou que o tribunal irá debater a questão para “determinar o quadro jurídico aplicável para garantir a continuidade do Estado, a administração do governo e a defesa da soberania face à ausência forçada do Presidente da República“.
Padrino ainda afirmou neste sábado que a maior parte da equipe de segurança do presidente Maduro foi morta “a sangue frio” durante a ofensiva dos Estados Unidos ao país.
Ele ainda pediu para que a população venezuelana “retome suas atividades de todos os tipos, econômicas, laborais e educacionais, nos próximos dias“.
“A pátria deve caminhar sobre seu trilho constitucional“, defendeu Padrino.
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Delcy Rodriguez, vice-presidente da Venezuela. — Foto: Federico Parra/AFP
Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar com os líderes remanescentes da Venezuela, caso tomem “a decisão correta”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também neste domingo.
“Vamos avaliar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que farão“, disse Rubio à emissora americana CBS News.
Ele ainda acrescentou:
“Sei de uma coisa: se eles não tomarem a decisão correta, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão.”
O secretário disse também que é prematuro falar em eleições no país neste momento e que há “muito trabalho pela frente“.
O dia seguinte à prisão de Maduro pelos EUA também foi de reações de países aliados à Venezuela.
A Coreia do Norte, por exemplo, afirmou que os ataques dos Estados Unidos à Venezuela são a “forma mais grave de violação de soberania“.
O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano ainda disse que está atento à gravidade da atual situação no país sul-americano, causado pelo “ato de arbitragem dos EUA”.
“O incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA“, declararam.
Para o governo norte-coreano, a situação atual na Venezuela causou uma “consequência catastrófica”.
Também neste domingo, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Estados Unidos devem libertar imediatamente o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, e resolver a situação na Venezuela por meio de diálogo e negociação.
O ministério afirmou em um comunicado em seu site que os Estados Unidos também deveriam garantir a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa, alegando que a deportação deles violou o direito e as normas internacionais.
➡️A China é uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela e, nos últimos anos, tem defendido publicamente que disputas internas no país devem ser resolvidas “pelo povo venezuelano, sem interferência externa”.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite deste sábado (3), após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.
Mais cedo, Maduro foi conduzido sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde foi fichado. Um perfil oficial da Casa Branca no X divulgou as imagens do venezuelano escoltado por agentes.
Em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano. Ele ainda afirmou que os EUA pretendem conduzir o país por meio de um “grupo” que está em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem como esse arranjo funcionaria.
Também neste sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
Segundo Bondi, o líder venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores — também detida pelas autoridades americanas —, foram formalmente acusados dos seguintes crimes: